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Esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos da espécie Sporothrix spp., podendo afetar humanos e animais (principalmente gatos). Este fungo encontra-se livre na natureza,  em detritos vegetais presentes no solo, sendo frequente o contágio dos seres humanos (principalmente agricultores, floristas) após espetarem-se com material contaminado (espinhos, felpas). O contágio pode ocorrer, também, após arranhões, mordidas ou contato direto com animais infectados. O RS é um dos estados  com maior número de casos de esporotricose já diagnosticados no Brasil.

Após o contágio, que geralmente se dá por traumatismos nas mãos ( em adultos), ou na face ( em crianças),   pode levar alguns dias até o aparecimento dos primeiros sintomas na pele. Inicialmente, surge, no ponto de inoculação, um nódulo inflamatório, geralmente indolor, lembrando abcessos ou furúnculos, que não melhora com o uso de antibióticos tradicionais.

O quadro evolutivo mais comum, é o surgimento de nódulos avermelhados, semelhantes ao inicial, em trajeto ascendente pelo membro afetado, lembrando contos de um rosário. Estas lesões podem ulcerar.  É a clássica forma cutâneo-linfática, a mais comum e muito sugestiva de esporotricose. Outra forma da doença é a cutânea-localizada, na qual a lesão inicial permanece única, tendendo a aumentar de tamanho e torna-se, geralmente, verrucosa.

Em pacientes imunossuprimidos, podem ocorrer formas mais graves, com toda pele do corpo acometida por lesões, e até mesmo com o comprometimento de outros órgãos (ossos e articulações,  pulmões)

O diagnóstico definitivo da esporotricose se dá através de exames complementares (exames micológicos, biópsias de pele) após a suspeita clínica da doença.

O tratamento geralmente é curativo e o prognóstico é bom nos quadros cutâneo-localizados ou cutâneo-linfáticos. Utilizam-se medicamentos antifúngicos orais por um período médio de 3 a 6 meses, dependendo da forma clínica. Podem ficar cicatrizes no lugar das lesões tratadas.

Orienta-se o uso de luvas adequadas no manejo de plantas e madeiras e nas atividades agrícolas em geral para evitar o contágio. Deve-se evitar o contato com gatos  que apresentem feridas suspeitas na pele. Caso desconfie da doença em animais, encaminhá-los à um veterinário, com urgência, para serem tratados, e não continuarem transmitindo a esporotricose.

Autor: Dr. Rodrigo Vettorato, dermatologista SBD-RS

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