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O Herpes zoster (HZ) é a reativação do vírus varicela-zoster (VZV), que permanece latente nos gânglios sensitivos de pessoas que tiveram varicela, que é a primo-infecção por esse vírus. É uma erupção autolimitada, mas pode cursar com sintomas e complicações significativos, tais como meningoencefalite e cegueira. Entretanto, a complicação mais frequente é a neuralgia pós herpética (NPH), quadro de dor neural que pode persistir por anos após a remissão das lesões clínicas.

A incidência do Herpes Zoster aumenta com a faixa etária. Estima-se que metade dos indivíduos que alcançarem a idade de 80 anos terá tido HZ. Além disso, imunodepressão por outras doenças ou imunossupressão relacionadas a tratamentos medicamentosos são fatores de risco para a reativação viral precoce e maior número de recidivas. Essas estatísticas deixaram claro que uma medida preventiva para essa doença seria muito bem-vinda.

Como resposta a essa expectativa, surgiu em 2005 a primeira vacina para HZ, conhecida internacionalmente como Zostavax®. É constituída por aproximadamente 20.000 UFP de vírus vivo atenuado da cepa Oka, ou seja, é a mesma vacina da varicela, porem mais concentrada. Com ela vieram as dúvidas: Quem seria beneficiado por essa vacina? Qual a eficácia da vacina? Qual a duração do efeito?

Inicialmente a vacina foi indicada para as pessoas de 60 a 69 anos, sendo posteriormente ampliada a faixa etária para 50 – 69 anos. O estudo que baseou o lançamento da vacina mostrou uma redução de 51,3% na incidência do HZ e de 66,5% na incidência de NPH. Entretanto, esses resultados foram confrontados com outros números, como o NNT (número necessário tratar) que mostrou ser necessária a vacinação de 363 pessoas para se evitar um caso de NPH. Ofuscando ainda mais a perspectiva inicial, o seguimento dos pacientes mostrou que todo o benefício da vacina cessava 5 anos após a aplicação. Vale lembrar ainda que vacinas com vírus vivo atenuado não podem ser feitas em vigência de imunodepressão ou na perspectiva de imunossupressão próxima, como no caso de pacientes que estão em vias de iniciar quimioterapia, por exemplo.

Em 2015 surge uma nova vacina para HZ, chamada Shingrix, constituída por uma glicoproteína do VVZ, associada a um adjuvante. Por não conter vírus vivo atenuado, essa vacina não apresenta risco quando da vigência de imunossupressão. Aliás, não apenas não apresenta risco, como mostrou ser efetiva em pacientes com HIV e CD4 >50, pacientes com transplante autólogo de medula óssea e transplantados renais. Além disso, estudos de eficácia mostram que não há diferença estatística nos diferentes subgrupos analisados: proteção de 91,2% na incidência de NPH nas pessoas acima de 50 anos e de 88,8% nos > 70 anos.

Essas constatações levaram o Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP), em outubro de 2017, a recomendar a vacina recombinante para prevenção do HZ e suas complicações para adultos imunocompetentes ≥ 50 anos de idade, inclusive para aqueles que já haviam sido imunizados com a vacina de vírus vivo atenuado.

Assim, fica claro que a nova vacina é muito superior a anterior. A má notícia é que ela ainda não está disponível no Brasil.

Referências:
Oxman MN, Levin MJ, Johnson GR, et al. A vaccine to prevent herpes zoster and postherpetic neuralgia in older adults. N Engl J Med 2005;352:2271-84.
Lal H, et al. Efficacy of an adjuvanted herpes zoster subunit vaccine in older adults. N Engl J Med. 2015 May 28;372(22):2087-96.
Baumrin E, Van Voorhees A, Garg A, Feldman SR, Merola JF. A systematic review of herpes zoster incidence and consensus recommendations on vaccination in adult patients on systemic therapy for psoriasis or psoriatic arthritis: From the Medical Board of the National Psoriasis Foundation. J Am Acad Dermatol. 2019 Mar 15. pii: S0190-9622(19)30431-1
Dooling KL, et al. Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices for Use of Herpes Zoster Vaccines. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2018 Jan 26;67(3):103-108

Autor: Dr. Andre Avelino Costa Beber

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